Thursday, April 28, 2005

ha dias assim...

ha dias em que acordas e te apercebes que nao vai mesmo valer a pena
ha dias em que acordas e sabes que vai mesmo valer a pena
ha dias em que acordas e nao sabes nada...
embora estes sejam a maior parte dos dias, quando ao acordares ja te apercebes que nao sabes nada do que se vai passar, nem tens espectativas, ficas triste
eu, pelo menos, fico...
a medida que o dia vai avançando posso ir ficando mais triste ou mais feliz, o pior e ir ficando mais indiferente ao que se vai passando a minha volta
a rotina faz isto as pessoas, pelo menos faz-me isto a mim
hoje acordei assim
ja me levantei tarde, de proposito, hoje nao me apetecia estar acordado muito tempo
quando chego ao trabalho, ao mesmo tempo, o meu dia começa e acaba
quando saio do trabalho, o meu dia so acaba
a noite e a solidao faz isto as pessoas, pelo menos faz-me isto a mim...
queria contar uma historia, mas falta-me a imaginaçao, ou entao sobram-me as palavras
o acidente mudou-me
a sorte mudou-me
nao me mudou no que devia ter mudado
nao me mudou na responsabilidade
nao me mudou no cuidado
mas sinto-me diferente, sinto-me mudado
o acidente incomodou-me...
a sorte incomodou-me...

ha dias assim...
eu hoje sinto-me assim...

Saturday, April 16, 2005

Aconteceu

um belo dia, estava eu sentado a minha secretaria, em casa, no trabalho e a nossa secretaria, somos alguns a trabalhar na mesma mesa, quando olho para a rua e qual nao e o meu espanto quando vejo que de repente ja nao havia luz. de um momento para o outro, as 15 horas, pleno mes de agosto, uma noite linda, uma lua cheia como so se ve nos filmes.
estava sozinho ja ha tres dias, farto de comer tostas mistas e batatas fritas de pacote, decidi sair de casa, ver como estava aquela "noite". ja que era tudo tao unico, decidi aproveitar e deixei o carro onde estava, como normalmente, meio na estrada, meio no descampado, mesmo ja tendo sido avisado enumeras vezes pelo proprietario do mesmo, que um dia lhe passa com o tractor por cima.
quase noventa anos, nao tem familia, os amigos ja "partiram todos de viagem", como ele mesmo diz, e normal que goste de dizer qualquer coisa. por vezes ja faço de proposito, quando sei que ele vem no dia seguinte, mesmo que tenha outros lugares para estacionar, la vou deixar o carro, meio na estrada, meio no descampado, sabendo de ante mao que no outro dia quando sair para trabalhar, o senhor joaquim me vai dizer pela milesima vez, que um dia lhe passa com o tractor por cima. sempre com um sorriso, respondo que infelizmente nao tinha outro sitio, mas que nao se volta a repetir. ele aceita as minhas desculpas, volta a sentar-se ao lado do tractor, o primeiro e unico que comprou quando tinha vinte anos e de uma "qualidade que ha muito nao se ve".
e bom morar meio na cidade, meio no campo. em dez minutos estou no centro, em dez minutos estou de volta ao campo, ouvindo os passaros a cantar. sai, estranhamente o senhor joaquim nao me disse nada, nao reparei mas acho que nem o vi, normalmente dou por ele porque ele me chama. hoje nada, sera que estava ainda a dormir? mas sao tres da tarde! segui pela rua das laranjeiras, a unica rua das laranjeiras que conheço, que nao tem uma unica laranjeira e segundo relatos mais antigos, nunca teve. teve em tempo nespereiras. tudo me parecia igual, estranhamente igual, demasiado igual. sera que so eu via que era noite? claro que era, aquela lua nao dava para enganar, grande, redonda, brilhante, cinematografica. as pessoas agiam como se nada de estranho se estivesse a passar. continuavam a fazer o seu trabalho, as pastelarias a funcionar com as luzes ligadas, os carros de farois acesos, todas as lojas com as montras iluminadas. nao sabia muito bem onde queria ir, ou talvez nao quisesse ir a lado nenhum, so queria admirar este raro instante de noite a meio da tarde. ja tinha ouvido falar, como muitos de nos, do sol da meia-noite nos paises escandinavos e de uma certa forma, sentia que nos, estando no sul, tinhamos direito a nossa lua do meio-dia (15 horas). de qualquer das formas, uma coisa era certa, ainda nao tinha comido nada e começava a ter uma certa fome. decidi ir a um daqueles restaurantes pequenos onde se come ao balcao, normalmente as pessoas que trabalham por perto e nao tem muito tempo para comer. nesses sitios a comida costuma ser boa, mesmo que seja so uns ovos estrelados com salsichas. quando la cheguei e embora ja fossem 16 horas, a dona julia, senhora dos seus sessenta e poucos anos, pequena, magra, com as rugas proprias da idade, os cabelos brancos cobertos pela touca branca, depois de ja ter cozinhado, em poucas horas, para metade da populaçoa trabalhadora da zona, ainda teve paciencia para me fritas os tais ovos com as tais salsichas. como sera levar uma vida, a fazer dia apos dia o mesmo trabalho? sempre com um sorriso nos labios e uma palavra amiga e pessoal, sera que chega a um ponto em que se deixa de pensar e faz-se por fazer?
depois da minha refeiçao rica em hidratos de carbono e outros que mais, excelentes para quem deseja fazer uma alimentaçao equilibrada com o objectivo de viver ate aos cento e poucos anos e daquele doce da casa que so a dona julia sabe fazer, cujos ingredientes ficam no segredo dos deuses, so se sentindo um leve aroma a cafe, veio a bica. esse nectar para tantos, tanto no verao como no inverno, que acompanha, por vezes esse estranho prazer do "meinho" de bagaço.
so ai me lembrei que la fora ainda estava de noite e que a lua parecia brilhar mais do que nunca. perguntei entao ao senhor manel, marido da dona julia, o que e que achava desta lua a meio da tarde. " ah e verdade, ainda nao tinha reparado, sabe como e, andamos aqui o tempo todo de um lado para o outro, atarefados em tentar servir toda a gente, que ainda nao tinha reparado. o que os homens fazem..." e assim foi levantar uma mesa que tinha cabado de se levantar, do senhor valter do banco, que vem todos os dias, religiosamente para a mesa do canto, a espera da sua esposa, a dona maria que trabalha nos correios, ao fundo da rua. nao tem filhos, nunca se soube se por opçao ou por imposiçao da natureza, a verdade e que continuam sozinhos, mas juntos ha mais de vinte anos. fiquei mais um bocado a olhar pela janela, a apreciar este momento estranhamente agradavel e raro de paz...
sai no sentido do rio, pouco mais de 10 minutos a andar calmamente, a olhar para as montras, a pensar se comprava ou nao. calças, t-shirts, uma camisola ou um casaco , mas nunca gostei de compras o que me leva a ter roupa com mais estaçoes do que seria recomendado.
mesmo assim ha muita gente na rua. as nossas senhoras nas melhores lojas, experimentando vestidos, enquanto os nossos senhores esperam ca fora, talvez sem muita paciencia, fumando as suas cigarrilhas, enquanto aguardam que as nossas senhoras os chamem para puxarem dos cartoes "magicos" e pagarem aquele vestido que era imperativo que tivessem porque a amiga vasconcelos falou tao bem da loja e do atendimento e da classe e da elegancia e do charme e do bla bla bla bla bla... os nossos senhores ja deixaram de ouvir ha uns quinze anos. continuo a andar sem rumo e quando dou por mim, ja atravessei toda a rua das lojas e estou nas margens do nosso rio. o rio. nao e nenhum tejo, nem nenhum douro, e o nosso rio, navegavel por pequenos barcos que levam, dia apos dia, varias vezes ao dia, os nossos turistas que vem passar as suas ferias e aproveitam para conhecer a costa "no seu mais puro estado". aqueles pequenos recantos visitados so por uma meia duzia de pessoas... de cada vez. os barcos sao pequenos, frageis, entram nas grutas e maravilham quem la vai. os "comandantes", antigos pescadores que ja nao tem saude para a pesca, ou estrangeiros que vieram a primeira vez de ferias, quando ainda tinham sonhos de juventude e ficaram maravilhados com a beleza primitiva e natural do local. hoje, mais ou menos integrados, com os seus sotaques tao caracteristicos de quem nao consegue melhor, porque o "portugues e uma lingua muito dificil" e o alemao e o holandes tem sotaques muito fortes. ou talvez porque quem viaja nos seus barcos, fala a sua lingua e eles passam a maior parte do tempo nos barcos. hoje em dia a regiao esta diferente, muito diferente, mas para quem levou as ultimas duas decadas a mostrar o melhor que ha, ha sempre um sitio novo, por explorar por aquela meia duzia de pessoas... de cada vez. ja nao se vem os barcos a chegar com as gaivotas a sobrevoar, na esperança de conseguirem algum peixe que saia borda fora, mas as margens do rio continuam a encantar, quem nelas vem descansar, pescar, olhar, ler um livro, passear. nunca fui grande amante do rio, mas tambem nunca tinha visto o rio a noite, as 17 horas, com uma lua destas.
comecei o meu caminho de volta a casa, passei pela rua das lojas, ainda cheia de gente, com as montras ainda iluminadas, o restaurante da dona julia e do senhor manel agora fechado. sai do centro e entrei no campo, ha menos luz aqui, nao ha candeeiros e a luz da lua cria sempre umas sombras, ao mesmo tempo interessantes e assustadoras, especialmente no campo. chegado a casa, o senhor joaquim ja tinha ido. o meu carro ainda intacto e a minha casa continua vazia. o meu pessoal so volta daqui a mais quatro dias. nao da nada na televisao, os noticiarios continuam a falar das mesmas coisas, a maior parte delas ma e nem uma mençao a lua das tres da tarde...
fui dormir as 20 horas, acordei no outro dia de manha e estava tudo igual. a minha casa continua vazia, os noticiarios a falar das mesmas coisas, o meu carro intacto e o meu pessoal so volta daqui a tres dias...
sera que sonhei?

a gota que faz transbordar o copo

tudo tem um peso, tudo tem uma medida e por conseguinte, ou talvez nao, um limite.
como um copo, como uma gota, como um corpo, como um espirito.
qual e o teu limite? quando e que vais transbordar o copo?.
espero que ja nao falte muito, o meu ja esta quase cheio. o que e que a mae vai dizer quando vir esta agua toda espalhada por todo o lado? na sala, no quarto, na cozinha, na casa-de-banho, na cabeça, nas pernas, nos braços, por dentro e por fora.
ha quanto tempo ja estas a encher? ja perdi a noçao do tempo.
ainda te lembras quando e que começaste? a memoria e traiçoeira e por vezes so te lembras do que queres.
ja alguma vez paraste para pensar? quero dizer, vais na rua a andar e de repente paras. porque te apetece, porque nao te apetece, ja?
para e pensa, talvez nao existam gotas suficientes para fazer transbordar o copo.

Tempo para pensar

londres
metro
de leytonstone ate oxford street
quase 3 semanas
... muito bom e decepcionante

mudança. neste caso esperança. esperança na mudança. passadas 3 semanas, esperança com inicio de desespero.

tudo começou dia 6 de novembro. na realidade tudo começou 1 dia (?) do mes de maio.
mas 6 de novembro. chegada a londres com as malas cheias. bilhete so de ida. muita esperança.
nem tudo tem sido perfeito. mas tambem nao o era pedido... esperança na perfeiçao, facil e rapidamente anulada. demonstraçao forçada de maturidade apos incrivel e abundante infantilidade.
nem tudo esta resolvido. alias nada esta resolvido a nao ser o estou.
londres e eu, eu e londres. que dualidade tao estranha, tao pouco reflectida, tao simplesmente acontecida.
partida
coraçao
aguardar
a quem e que quero provar que consigo fazer o que?
a mim nao preciso de provar nada.
preciso, isso sim, de fazer alguma coisa (urgente).
a ti. nao. nao me conheces suficientemente bem para que se imponha alguma prova de alguma coisa. quando me conheceres, deixa de ser necessario. conheces-me, ai ate bem demais e ja nao preciso de te provar nada.
quem disse que 22 anos era uma boa idade para começar fosse o que fosse? eu nao fui de certeza.
o metro. quanto tempo de vida sera passado nestas viagens? nao falo do senhor ou senhora que conduzem o veiculo. falo de alguem que faça estas viagens casa, trabalho, trabalho, casa.
da que pensar, da para pensar, da para viver, da para morrer.
um dia acordas. olhas para o lado e ves alguem que nunca tinhas visto antes. num sitio que nunca tinhas visto antes. e dizes... provavelmente nao dizes. e preferivel nao dizer, nao pensar.
tens tempo no metro para o fazer...

Friday, April 15, 2005

primeira vez

ola pessoal, amigos, desconhecidos e afins
esta e a minha primeira vez
dizem que ha sempre uma primeira vez para tudo na vida, eu digo que ha coisas que nao valem a pena serem feitas, nem uma vez...
mas isso fica para outra vez
fui encorajado pelo meu amigo p b (nao sei se me deixa usar o nome dele) a fazer um blog, sem saber sequer muito bem no que me vou meter, mas ca vou eu!
"assim vamos levando...", pareceu-me ser um titulo interessante (presunçao minha? talvez!) para um blog que se quer actualizado, de quando em vez
assim vamos levando a vida, assim vamos levando o trabalho, assim vamos levando as relaçoes, deixo ao vosso criterio o que cada um quiser ir levando...
eu vou levando estas noites, passadas em claro, por obrigaçao, dever, direito ou prazer, talvez de tudo um pouco, mas e assim que as vou levando...
este espaço parece-me bom para partilhar, com quem quiser, tudo aquilo que me vem a cabeça, quando as horas a minha frente sao muitas e o que ha a fazer e muito pouco
por isso nao se preocupem, que a minha presunçao fica-se pelo interessante que acho o titulo que encontrei para este blog
nao faço isto para que me leiam faço isto para pensar viver e escrever
ficamos por aqui, para primeira vez...
visitas.